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10 RAZÕES PARA NÃO FECHAR A FÁBRICA

1 - Eu não sou o dono.

A primeira razão é a mais óbvia. Eu não fecho a fábrica poque não sou o dono. O dono é Deus, eu só administro. Mas apesar de agora eu ter a nítida consciência deste fato, foi uma caminhada longa até eu realizar esta difícil transição dentro de mim: passar de proprietário a colaborador, de construtor a ferramenta, de artista a argila.

Abdicar de ter o total e exclusivo controle das decisões que tomamos é um passo difícil de ser dado, porém, determinante para a realização de uma felicidade surpreendente. É quando você descobre que muitas alegrias da sua vida não estavam previstas no papel.

Os nossos planos são realmente bem planos. Os de Deus são montanhas.

Quando a cronologia se desapega do cronograma, aquilo que antes era pesado, se torna grama.

2- O produto fabricado é sagrado.

O produto fabricado nesta Fábrica é de altíssima e insuperável qualidade. Recebe o nome de Vida Humana. Nada, em todo o Universo, é tão valioso quanto ela. Nada do que foi criado foi criado com tanto amor quanto ela. 

De tudo o que existe, a Vida Humana é o que mais se assemelha a Deus. Porém, temos visto imagens que nem são imaginadas. Semelhanças que nem são semeadas.

Poder, através desta Fábrica, colaborar na produção de algo tão próximo a Deus, feito à sua imagem e semelhança, é a base de toda a esperança. 

Realizar algo à sua semelhança e imagem, é querer ser árvore, e não serragem.

3 - A tecnologia utilizada é irreproduzível.

A tecnologia utilizada na Fábrica da Vida é uma tecnologia de primeira e última geração, que permite a união de um corpo com uma alma. Esta tecnologia recebe o nome de Milagre. O processo de fabricação da Vida Humana é o milagre mais belo que o Universo pode conter.

O milagre desta união entre corpo e alma é também o milagre da parceria entre Deus e o Homem. Quando escutamos uma bela canção, sabemos que um foi o autor da letra, e outro o da música. Assim acontece com cada ser humano. O homem participa com a letra, com o corpo, e Deus entra com a alma, a música.

Você, por exemplo, que está lendo este texto, você é uma bela composição, letra de seus pais, música de Deus.

A Fábrica da Vida é uma fábrica de canções originais. Cada uma única e irrepetível. Trilhas sonoras do grande milagre que transforma o nada em tudo.

Fechar a fábrica é colocar a Vida no modo mudo.

4 - Existe uma fórmula secreta.

Esta fábrica foi inaugurada a milhões de anos atrás, exatamente no 6º dia da criação, quando Deus disse:

— Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.

Essa simples palavra, “façamos”, é a fórmula secreta usada até hoje pela Fábrica da Vida para produção de novos seres humanos. É a palavra mágica que dá origem ao milagre do corpo e da alma que se abraçam e se misturam de um jeito tão especial que só pode ser definido por um nome: PESSOA.

Eu não fecho a fábrica porque toda vez que eu ou minha esposa queremos realizar a nossa vontade, do nosso jeito, Deus sussurra aos nossos ouvidos:

— Façamos!

Esta mesma fórmula foi testada de uma maneira totalmente inédita a cerca de dois mil anos atrás, e fez com que uma virgem engravidasse. 

Esta fórmula foi desenvolvida por uma trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. É uma fórmula secreta que não é guardada num cofre, mas protegida por um manto.

5 - Estamos vivos.

Eu não fecho a fábrica porque eu, eu mesmo, e você também, estamos vivos graças a ela. Fomos fabricados em alguma de suas filiais, que, graças a Deus, estavam funcionando.

6 - Os produtos são imperecíveis.

Diferente de todas as outras fábricas existente no mundo, a Fábrica da Vida é a única que não fabrica produtos perecíveis. A Vida Humana, aqui produzida, já sai de fábrica caprichosamente acondicionada em duas embalagens disponíveis: menino ou menina. Tanto um como o outro, possuem prazo de validade infinito. 

Existirão até que acabe o amor de Deus por eles…

7 - O horário de funcionamento é sempre hoje.

Muitas vezes temos a tentação de “fechar a fábrica” por medo do futuro, principalmente em relação à situação financeira. Mas a oração que aprendemos de Jesus diz assim: 

“O  pão nosso de cada dia nos dai hoje.”

Deus se comunica e age em nossas vidas somente no hoje. O calendário de Deus é bastante simples, e muito diferente do nosso. No nosso calendário tem: dias, meses, anos, séculos. No calendário de Deus tem: hoje.

É no hoje que Deus pode nos curar do medo do amanhã.

A Fábrica da Vida é uma fábrica de HOJES!

Certa vez, discutindo com uma pessoa sobre os altos custos para educar uma criança do nascimento até a faculdade, comentei que tinha 6 filhos (na época eram só 6), e ela me perguntou se eu havia ganhado na mega sena. Naturalmente respondi que sim, seis vezes consecutivas. 

O orçamento de Deus é diferente do nosso. No nosso está escrito: entradas, saídas, débitos, créditos, receitas, despesas, custos, investimento, prioridades, etc.

No orçamento de Deus está escrito: Arrisca!

 

8 - É uma fábrica de diálogos.

Um filho não programado, que de repente aparece no teste de gravidez, e que te deixa de joelhos no chão e sorriso na boca, é um diálogo aberto com Deus.

Da mesma forma, aquele filho tão desejado, tão presente em nossas preces, e que não se torna realidade, é também um diálogo aberto com Deus.

Não “fechar a fábrica”, significa estar aberto à vida. Estar aberto à vida compreende o importante passo de perder o medo de dialogar intensamente com Deus.

A Fábrica da Vida é uma fábrica de diálogos entre a criatura e o Criador, entre o colaborador e o Proprietário, entre a ferramenta e o Construtor, entre a argila e o Artista.

Nestes diálogos a gente aprende a discutir, reivindicar, suplicar, espernear…

… e desejar do fundo do coração que a última palavra não seja a nossa.

9 - Lucros exorbitantes.

Eu não posso fechar a fábrica porque os lucros que obtive até aqui são incalculáveis. 

Ter a oportunidade de conhecer pessoalmente cada filho com que Deus me abençoou, não tem preço. É o maior salário que um pai pode receber. Se eu tivesse me encontrado com cada um deles, apenas durante um único dia, já teria valido a pena viver toda a vida!

10 - Comunhão e doação.

Segundo nosso amado São João Paulo II:

O corpo, de fato, e só ele, é capaz de tornar visível o que é invisível: o espiritual e o divino. Foi criado para transferir para a realidade visível do mundo, o mistério oculto desde a eternidade em Deus, e assim ser sinal d’Ele.

São João Paulo II

Duas palavras que definem este mistério oculto são:

Comunhão e Doação.

Associadas ao milagre da vida humana, estas duas palavras só admitem o uso do SIM, nunca o NÃO.

A Fábrica continuará aberta até que Deus venha trancar o cadeado com sua própria chave.

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O QUE O TIO PATINHAS TEM A VER COM NOSSA VIDA INTERIOR?

Eu estava casado há 4 anos e tinha 3 filhos. Na minha cabeça, lá no incrível mundo do raciocínio lógico do homem pecador, me considerava um excelente e admirável católico, aberto à vida ( seja lá o que isso significava ), cumpridor exemplar do mandamento: “Sede fecundo, multiplicai-vos e enchei a terra.” Estava tranquilo quanto às minhas obrigações religiosas em relação ao sexo e ao casamento.

Mas naquele ano, Jesus veio, fez barro com um pouco de saliva e esfregou nos meus olhos.  E minha vida se transformou para sempre.

Assistindo a uma catequese sobre a Teologia do Corpo de São João Paulo II, minha máscara caiu por terra. Eu tive que repensar minhas atitudes, meus conceitos de certo, errado, pecado, santidade, etc. Porque eu e minha esposa ainda usávamos de métodos não naturais para controle da natalidade. Não era nada assim muito planejado, um programa totalmente estruturado para não se ter filho de jeito nenhum deus que me livre de mais um – não, não era isso. Era só de vez em quando, pra garantir, uma coisinha aqui e ali… Não era nada de mais…

Pois é. Depois daquele encontro, de volta para casa, sentei e fiz o que já deveria ter feito antes de me casar. Li a encíclica “Humanae Vitae” do papa Paulo VI, e vi que, como se diz, a regra era clara. Eu não estava aberto à vida porque nem entendia o alcance desta expressão. Eu tinha separado aquilo que era inseparável, o significado unitivo e procriativo do ato conjugal.  Mesmo sendo  uma família que crescia num ritmo acelerado para os padrões modernos, nem por isso éramos exemplo de casamento fecundo.

Aquele barro jogado nos meus olhos me fez enxergar muitas outras coisas. A cegueira tinha me poupado de visualizar muita tranqueira acumulada no meu coração. Digamos que meu interior era um quarto escuro, sujo, sombrio, até assustador de vez em quando. Dava medo me encontrar comigo mesmo ali. Alguns animais nojentos de vez em quando eram vistos rastejando pelos cantos. Meu Deus, quantos pecados precisavam ser iluminados!

Foi então que me lembrei de uma das histórias preferidas da minha infância: a fortuna quase incalculável do Tio Patinhas. Aquela imagem deliciosa dele nadando e mergulhando numa imensidão de moedas. E o que tornava essa história genial era o fato de que tudo tinha começado com uma única e pequena moedinha.

Naquele dia, naquele encontro, ouvindo aquela catequese sobre a Teologia do Corpo, eu tinha conquistado a minha moedinha número 1. Pela primeira vez na vida percebi o valor do que a Igreja estava me dando. Pela primeira vez na vida descobri que eu poderia começar uma fortuna. Pela primeira vez na vida constatei que a Igreja era muito mais rica do que eu jamais havia sonhado.

Desde então tenho procurado aumentar esse tesouro. E quanto mais acumulo, mais vejo o quanto sou pobre. Quanto mais moedas vou depositando, mais nítida é a sensação de que é infinito o que falta a conquistar.

Pois eu te pergunto. Qual é a sua moedinha número 1? Qual foi o seu primeiro encontro com a palavra de Deus que fez seus olhos brilharem, fez seu coração arder? Qual foi esse encontro que te faria derramar de bom grado um vidro do mais valioso perfume nos pés de Jesus?

Talvez esse texto te faça relembrá-lo. Tomara que sim, E que essa lembrança nos ajude, eu e você, a limparmos esse quarto bagunçado que é nossa vida interior. Que as outras moedinhas que coletamos do tesouro da Santa Igreja nos ajude a darmos o devido valor à virtude da castidade, a limparmos de fato a sujeira entranhada em nossa lógica de pecadores.

A nossa vida interior é algo muito valioso. É, na verdade, o que nós temos de mais valioso. Nosso segredo, nosso tesouro. Que ninguém tem a chave. Ninguém sabe a senha.  Somente nosso Pai, que vê no segredo, sabe calcular quanto vale o que ali está guardado.

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Quem Somos?

Somos um povo que acredita que a vida é um dom de Deus e seu valor é incalculável.

Também acreditamos que fomos feitos para muito mais do que temos vivido. Fomos criados para algo muito maior que nossa estatura. Fomos desejados para algo muito melhor que nossa bondade. Fomos projetados para algo muito mais inteligente que nossos estudos. Fomos desenhados para algo muito mais lucrativo que nossos negócios. Fomos pensados para algo muito mais nutritivo que nossas refeições. Fomos arquitetados para algo muito mais seguro que nossas cercas elétricas. Fomos amados para algo muito mais relaxante que nossas férias. Fomos gerados para uma felicidade muito mais garantida que nossos joguinhos da mega-sena. Deus nos criou para mais, para muito mais…

Acreditamos que somos vasos de barros, e que mesmo assim carregamos um grande tesouro. Carregamos em nossos corpos o mistério escondido desde toda a eternidade no seio da Santíssima Trindade. Carregamos em nossos corpos a capacidade de nos doarmos, de nos entregarmos, de nos enlouquecermos de amor.

A razão de tamanha desgraça no mundo de hoje é a substituição de uma finalidade por finalidades: pequenas e insignificantes finalidades em lugar do FIM ETERNO. Os homens foram criados para voar para o CÉU, mas cortam-se as asas e arrastam-se na terra. Há uma tremenda desproporção entre a VIDA, A VERDADE E O AMOR, para que foram criados, e os prazeres fugidios, as meias-verdades e as superfluidades com que momentaneamente se satisfazem.

Fulton Sheen

Somos um povo que acredita que as dificuldades não nos impedem de prosseguir, que a doença não nos tira a saúde da alma, que o sofrimento nos une a Cristo, nos santifica e nos faz renascer para uma vida que já não é nossa: uma vida transformada, abundante e verdadeiramente livre.

Somos católicos, apostólicos e romanos. Somos servos de Maria: o que ela manda nós obedecemos, o que ela quer nós também queremos, o que ela nos concede nós aceitamos. Se ela é filha de Deus, que nos criou, com sua ajuda agiremos como criaturas. Se ela é mãe de Jesus, que nos salvou, pela sua intercessão seremos salvos. Se ela é a esposa do Espírito Santo, que nos santifica, graças a ela seremos santos.

Todo e qualquer texto aqui publicado é para ela. E para que outras pessoas possam conosco apreender com ela a ser filha, a ser pai, a ser mãe, a ser marido, a ser esposa, a ser Igreja.

Este site foi criado com a única intensão  de agradá-la. E como consequência de agradá-la, compartilhar um pouco daquilo que nos faz arder o coração, que nos faz arrepiar, que nos faz meditar, que nos faz desejar sempre mais, que nos faz ter cada vez mais sede, cada vez mais fome, cada vez menos orgulho de nossos próprios pensamentos, de nossos projetos, de nossas idéias, daquilo que nos coloca em nosso devido lugar, que nos faz querer um outro lugar, um lugar definitivo, um lugar que não acabe nunca. Estamos aqui para compartilhar o ensinamento e a doutrina da nossa Igreja, principalmente no que se refere à Teologia do Corpo do nosso amado São João Paulo II, à encíclica Humane Vitae de São Paulo VI, e a todos os documentos, encíclicas, livros, notícias, testemunhos, de santos ou ainda não santos, que se declarem favoráveis ao sobrenatural, que permaneçam focados nas coisas do alto, que acreditem no protagonismo do Espírito Santo, que estejam, enfim, abertos à vida.

Meu nome é Téo, sou o idealizador deste projeto. Sou casado com a Con, temos nove filhos, oito aqui conosco e um que não conhecemos e que nos espera no céu. Sou um escritor católico, formado em Comunicação Social e pós-graduado em Marketing Digital. Sou acima de tudo um apaixonado pela nossa Igreja. Este site não é um site de conteúdo teológico. É um site de conteúdo apaixonante.

Se você é um apaixonado pela vida, e está, em toda e qualquer situação, a favor dela, venha conosco, junte-se a nós. Faça parte da equipe Abertos à Vida. Envie um comentário, dê seu testemunho, fale do que faz seu coração arder. Nos ajude a agradar àquela a quem desejamos agradar: nossa mãe.

Talvez você não se sinta digno de fazer algo para Deus, ou considere não estar preparado, ou se considere um grande pecador. Que bom, nós também. Tentamos aqui dizer quem somos, mas ninguém nos define melhor do que São Luís Maria Grignion de Montfort: 

Somos, naturalmente, mais orgulhosos que os pavões, mais apegados à terra que os sapos, mais feios que os bodes, mais invejosos que as serpentes, mais glutões que os porcos, mais coléricos que os tigres e mais preguiçosos que as tartarugas; mais fracos que os caniços, e mais inconstantes do que um catavento.

São Luís de Montfort 

Sim, somos pecadores em busca de conversão. E estamos vivos.

Exageradamente vivos.

Mande sua mensagem, dúvida ou sugestão:

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A MANEIRA MAIS EFICAZ DE SURPREENDER A DEUS

Deus comunica o seu amor, a beleza do seu amor, a beleza da sua criação, através de duas vozes: a voz da Ordem e a voz da Surpresa.

 

Na natureza podemos ver claramente. Ela está cheia de ordem e surpresa. Com a voz da ordem, já na criação, Deus ordenou que cada fruto carregaria a sua semente, e ordenou aos animais viverem segundo a sua espécie, e assim, da semente de abóbora só nasce abóbora, as mexericas crescem bonitas alimentadas pelas raízes da mexeriqueira, beija-flor não come carniça nem urubu voa pra trás.

 

Mas a natureza também é surpreendente.

 

Daquele globo ocular anatomicamente perfeito e sujeito às exigentes leis da óptica, de repente brota uma lágrima. A lágrima nos surpreende, Deus nos surpreende. Bem no meio da nossa rotina planejada e programada nos diz: “pode chorar, meu filho”.

 

É através da surpresa que Deus mostra de maneira mais evidente a sua genialidade criadora. Através de sua voz poderosa.

A voz de Iahweh sobre as águas... A voz de Iahweh com a força... A voz de Iahweh sacode o deserto... A voz de Iahweh retorce os carvalhos...

Salmo 29

E ficamos fascinados porque o pensamento de Deus é assustadoramente livre. Com um ingrediente, a água, e uma ordem preestabelecida, a lei da gravidade, Deus constrói um curso de água, um rio. Mas a tranquilidade daquela água corrente se quebra com uma voz, a voz da surpresa: “Arrisca!”

E aquele rio que seguia tranquilamente o seu caminho subitamente se arrisca num salto inimaginável!

A maneira como um rio se arrisca em Deus recebe o nome de cachoeira.

Dessa maneira também vamos nós sossegadamente ladeira abaixo, quando Ele nos grita: “Arrisca!”

Isto nos surpreende e nos emociona. Nos emocionamos porque a natureza traz em si uma ciência, mas o viver e o morrer, isso é a surpresa. Nós, seres humanos, tudo o que fazemos, fazemos através de uma ordem, de um conhecimento adquirido. O bebê chora e percebe que os pais o atendem. Depois os pais passam a atender mediante a fala. A criança diz “água” porque aprendeu que falando ela alcança o seu objetivo, desde pequenina ela entende o valor da ordem. Um dia porém, minha esposa chegou do cabeleireiro, pegou meu filho de 2 anos no colo, ele já olhou meio desconfiado para ela, e ela disse: “Mamãe cortou o cabelo.” Ele sorriu e devolveu: “Você tá linda!”. Eis aí a surpresa. Não foi um simples comando, não foi um pedido, foi uma interação, foi um motivo para concluir que já tinha valido a pena viver só para ouvir aquele elogio, só pela honra de ter conhecido pessoalmente aquela criança.

É verdade, nós também sabemos ordenar e surpreender. E podemos surpreender até à Deus.

Deus domina todas as regras e, segundo as suas próprias, não interfere no nosso livre arbítrio e permite-se a si mesmo a surpresa que é o próprio homem. Sim, podemos surpreender a Deus porque ele quis ser surpreendido.

Diante da viúva que carrega seu filho morto, Jesus se comove. Em Jesus Cristo, Deus quis se comover.

Ele quis se comover com nossas fraquezas, ele quis se surpreender com nossas escolhas. Jesus não imaginava a resposta daquele centurião que pedia a cura para um dos seus empregados.

"Senhor, basta que digas uma palavra e meu criado ficará são. Com efeito, também eu estou debaixo de ordens e tenho soldados sob o meu comando, e quando digo a um 'Vai!', ele vai, e a outro 'Vem!', ele vem; e quando digo ao meu servo: 'Faze isto', ele o faz." Ouvindo isso, JESUS FICOU ADMIRADO e disse aos que o seguiam: "Em verdade voz digo que, em Israel, não achei ninguém que tivesse tal fé."

Mateus 8, 8 - 10

Na escola, na aula de português, nós aprendemos a fazer a análise sintática das frases. Agora vamos pegar essa frase do centurião e fazer uma análise imaginática. 

“Senhor, eu não sou digno que entreis em minha casa; basta que digas uma palavra e meu criado ficará são.”

A primeira parte desta oração, “não sou digno que entreis em minha casa”, corresponde ao rio. O sujeito da oração é a água. É um fato, uma realidade, compreensível racionalmente. A segunda parte da oração, “basta que digas uma palavra e meu criado ficará são”, corresponde à cachoeira. O sujeito é a água que se arriscou, trata-se do elemento surpresa, do raciocínio lógico revestido de sobrenaturalidade, uma maneira de desafiar à natureza que nem Jesus esperava.

Em Jesus Cristo, Deus quis se surpreender.

Ele, que é o Criador da Vida, não se surpreende nem com a vida, nem com a morte, mas com a escolha da Vida. Ele se surpreende com nossa fé. Porque somos livres para decidir. Somos livres para escolhermos a vida. Somos livres para escolhermos perder a vida.

Nós podemos escolher a nos arriscarmos por Ele assim como ele se arriscou por nós.

A maneira como um homem se arrisca em Deus recebe o nome de FÉ.

Nós podemos escolher a verdadeira Vida e essa escolha nos torna capazes de  surpreender à Deus.

E quando Deus e o homem, cada um com suas regras e sua vozes, se deixam entrar na surpresa um do outro através da oração, nasce a maior e mais potente fusão entre eles, o Criador e a criatura, frente a frente, misturando-se um ao outro, dançando no meio das chamas.



A oração é o momento onde o homem e Deus se surpreendem um com o outro.