COMO SER UM HOMEM BOMBA CATÓLICO

Dá para entender porque Deus resolveu criar o mundo numa explosão. No princípio, no começo de tudo, lá no gênesis. Afinal de contas, o que foi o Gênesis? Nada mais, nada menos que uma insuperável explosão de amor. E de tempos em tempos Deus precisa acender novamente o pavio, porque novas explosões são necessárias.

A palavra gênesis vem da raiz “gen”, que significa produzir ou fazer nascer. Daí surgem outras palavras como gerar, generoso, genética, genealogia, gênero. Nós vivemos atualmente em um mundo que desvincula a palavra gênero de sua origem, estamos inseridos em uma sociedade que insiste em esquecer que o gênero, ou seja, homem e mulher, foi criado por Deus, foi gerado lá no Gênesis graças a generosidade do Criador.

Em um excelente artigo, Christopher West escreve que o gênero de uma pessoa baseia-se na maneira como essa pessoa foi designada para gerar uma nova vida. Ou seja, o gênero não é uma construção social, mas determinado pelo tipo de genital ela possui:

“Enquanto as revoluções sexual e feminista do século 20 estavam certas em desafiar certos papéis convencionalmente limitados a um ou outro gênero, há dois papéis – um pertencente apenas aos homens e o outro apenas às mulheres – que são inalteráveis e absolutamente indispensáveis para a sobrevivência da raça humana: a paternidade e a maternidade.”

Uma sociedade que perde a noção de gênero torna-se uma sociedade degenerada. Ou seja, que perdeu as suas qualidades originais, que se estragou, que se corrompeu. Negar o gênero é negar que fomos gerados. É simplesmente afirmar que de uma hora para outra não precisamos mais ser seres-humanos. Não precisamos ser um ser. Meus Deus, que loucura! 

O que temos visto no mundo de hoje? Uma completa degeneração. O homem que entra numa paralisia espiritual, congela a própria alma. As consequências estão aí: uma desvalorização do corpo, uma destruição do corpo, uma monetização do corpo.  Ou seja, o corpo hoje é oferecido numa bandeja como um objeto de prazer a ser consumido. É adicionado a uma lista ou agenda como obstáculo a ser destruído. É despudoradamente exposto em prateleiras como um produto a ser vendido.

Perdemos o sentido do corpo e também o sentido da vida, pois o sentido da vida é o mesmo do corpo. Jesus Cristo, o sentido último de toda a criação, se encarnou, assumiu um corpo. A encarnação de Jesus deu ao corpo humano um significado divino.

Quando nos afastamos de Deus, quando este espaço que nos separa dele fica tão imenso, perdemos a capacidade de movimento, implodimos para dentro de nós mesmos, do nosso egoísmo, enfiamos o sentido da vida para dentro do umbigo, enfim, nos degeneramos.

A única solução para tal degeneração é, no dizer de São João Paulo II, voltarmos ao princípio. Pois, no princípio, não era assim. Lá, algum tempo depois da explosão, o criador nos fez homem e mulher.

“Somente retornando a verdade original nós podemos salvar a palavra “gênero” em um mundo que se desvinculou da realidade.”

Para retomarmos as rédeas da verdade, para darmos novamente ao corpo humano os significados que ele foi perdendo ao longo das ideologias e dos séculos, precisamos dar o devido valor aos ensinamentos de São João Paulo II. Estou falando da sua Teologia do Corpo.

Neste trecho do livro “Teologia do Corpo para Iniciantes”, Christopher West, citando o teólogo Gerge Weigel, autor da biografia do papa João Paulo II (Witness to Hope), mostra o poder explosivo dos escritos do nosso querido papa:

O teólogo católico George Weigel descreve esta teologia do corpo como “uma das mais ousadas reconfigurações da teologia católica dos últimos tempos” (..), “algo como uma bomba-relógio teológica, programada para detonar com dramáticas consequências (…) talvez no século 21″. Esta visão nova do amor sexual “apenas começou a tocar a teologia da Igreja, a pregação e a educação religiosa”. Quando, porém, ela se impuser plenamente – prenuncia Weigel – “produzirá um dramático desenvolvimento no modo de pensar, virtualmente, sobre todos os temas importantes do Credo” ¹

Deus criou o mundo numa explosão. Uma explosão de amor que transformou o nada em tudo. Nós fomos criados no meio dessa força poderosa que a tudo impulsiona, movimenta e transforma. Até hoje o universo está em expansão, ainda estamos sendo empurrados através do espaço movidos por essa energia criadora. Dentro de nós também, esse combustível que recebemos nas origens ainda nos impulsiona, é o combustível do princípio que nos torna viajantes do espaço: do espaço que nos separa de Deus. Fomos criados pelo amor. Feitos para amar em movimento. Somos criaturas do gênesis. Fomos tirados do silêncio para a música, da paralisia para a dança, da fome para o banquete, do nada para a plenitude, da solidão para um abraço eterno.

São João Paulo II começa suas catequeses sobre a sexualidade humana nos pegando pela mão e nos conduzindo ao princípio, nos convida a dar uma volta pelo paraíso, nos apresenta ao gênesis. Ele nos faz passear à tarde com Adão e Eva para entendermos quem somos e porque somos. Estas catequeses possuem um objetivo: colocar-nos de novo em movimento, injetar em nossos corpos o impulso inicial, abastecer-nos com o combustível do princípio. A Teologia do Corpo é uma bomba que a Igreja coloca em nossas mãos.²

Essa bomba precisa explodir. E como faz para ela explodir? Primeiramente precisamos nos familiarizar com a carga explosiva que ela contém. Essa carga é a beleza da verdade, no sentido de um fato concreto, de uma realidade objetiva que supera todas as teorias.

Não é bom que o homem esteja só“: essa era teoria que regia a vida de Adão.

“Esta sim é osso dos meus ossos e carne da minha carne”: essa foi a realidade que suplantou a teoria.

Adão viu naquela mulher uma verdade. A sua vida dependia daquilo. Na verdade, era muito bom pra ser verdade. Aliás, era tão bom, mas tão bom pra ser verdade que não tinha como ser mentira.

A Teologia do Corpo é a verdade da qual depende nossas vidas. A verdade que pode nos ensinar que a finalidade do nosso casamento não é uma teoria, que a beleza do amor entre marido e esposa não se limita a ficção, que aquela mulher que Deus pôs na minha vida é real, é carne da minha carne, a minha vida depende dela, o meu céu depende dela e a nossa relação pode ser o começo do paraíso.

A doutrina ensinada por São João Paulo II é tão boa, mas tão boa pra ser verdade que não tem como ser mentira. É verdade mesmo. Uma verdade de valor gigantesco. É um tesouro incalculável. 

Como é bom ser católico! Voltar ao princípio, ouvir de novo o eco da grande explosão. Sentir nosso coração em chamas. Anunciar a boa nova que não descansa, que não para nunca, que está sempre em movimento. Anunciar, anunciar e anunciar. Repetidas vezes, oportuna e inoportunamente. Como se oferece uma flor, como se detona uma bomba.


  1. Christopher West, Teologia do Corpo para Iniciantes
  2. São João Paulo II, Teologia do Corpo. O amor humano no plano divino

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