A maneira mais eficaz de surpreender a Deus!

Deus comunica o seu amor, a beleza do seu amor, a beleza da sua criação, através de duas vozes: a voz da Ordem e a voz da Surpresa.

Na natureza podemos ver claramente. Ela está cheia de ordem e surpresa. Com a voz da ordem, já na criação, Deus ordenou que cada fruto carregaria a sua semente, e ordenou aos animais viverem segundo a sua espécie, e assim, da semente de abóbora só nasce abóbora, as mexericas crescem bonitas alimentadas pelas raízes da mexeriqueira, beija-flor não come carniça nem urubu voa pra trás.

Mas a natureza também é surpreendente.

Daquele globo ocular anatomicamente perfeito e sujeito às exigentes leis da óptica, de repente brota uma lágrima. A lágrima nos surpreende, Deus nos surpreende. Bem no meio da nossa rotina planejada e programada nos diz: “pode chorar, meu filho”.

É através da surpresa que Deus mostra de maneira mais evidente a sua genialidade criadora. Através de sua voz poderosa.

A voz de Iahweh sobre as águas… A voz de Iahweh com a força… A voz de Iahweh sacode o deserto…A voz de Iahweh retorce os carvalhos…

Salmo 29

E ficamos fascinados porque o pensamento de Deus é assustadoramente livre. Com um ingrediente, a água, e uma ordem preestabelecida, a lei da gravidade, Deus constrói um curso de água, um rio. Mas a tranquilidade daquela água corrente se quebra com uma voz, a voz da surpresa: “Arrisca!”

E aquele rio que seguia tranquilamente o seu caminho subitamente se arrisca num salto inimaginável!


A maneira como um rio se arrisca em Deus recebe o nome de cachoeira.


Dessa maneira também vamos nós sossegadamente ladeira abaixo, quando Ele nos grita: “Arrisca!”

Isto nos surpreende e nos emociona. Nos emocionamos porque a natureza traz em si uma ciência, mas o viver e o morrer, isso é a surpresa. Nós, seres humanos, tudo o que fazemos, fazemos através de uma ordem, de um conhecimento adquirido. O bebê chora e percebe que os pais o atendem. Depois os pais passam a atender mediante a fala. A criança diz “água” porque aprendeu que falando ela alcança o seu objetivo, desde pequenina ela entende o valor da ordem. Um dia porém, minha esposa chegou do cabeleireiro, pegou meu filho de 2 anos no colo, ele já olhou meio desconfiado para ela, e ela disse: “Mamãe cortou o cabelo.” Ele sorriu e devolveu: “Você tá linda!”. Eis aí a surpresa. Não foi um simples comando, não foi um pedido, foi uma interação, foi um motivo para concluir que já tinha valido a pena viver só para ouvir aquele elogio, só pela honra de ter conhecido pessoalmente aquela criança.

É verdade, nós também sabemos ordenar e surpreender. E podemos surpreender até à Deus.

Deus domina todas as regras e, segundo as suas próprias regras, não interfere no nosso livre arbítrio e permite-se a si mesmo a surpresa que é o próprio homem. Sim, podemos surpreender a Deus porque ele quis ser surpreendido.

Diante da viúva que carrega seu filho morto, Jesus se comove. Em Jesus Cristo, Deus quis se comover.

Ele quis se comover com nossas fraquezas, ele quis se surpreender com nossas escolhas. Jesus não imaginava a resposta daquele centurião que pedia a cura para um dos seus empregados.

“Senhor, basta que digas uma palavra e meu criado ficará são. Com efeito, também eu estou debaixo de ordens e tenho soldados sob o meu comando, e quando digo a um ‘Vai!’, ele vai, e a outro ‘Vem!’, ele vem; e quando digo ao meu servo: ‘Faze isto’, ele o faz.” Ouvindo isso, JESUS FICOU ADMIRADO e disse aos que o seguiam: “Em verdade voz digo que, em Israel, não achei ninguém que tivesse tal fé.”

Mateus 8, 8 – 10

Na escola, na aula de português, nós aprendemos a fazer a análise sintática das frases. Agora vamos pegar essa frase do centurião e fazer uma análise imaginática. 

“Senhor, eu não sou digno que entreis em minha casa; basta que digas uma palavra e meu criado ficará são.”

A primeira parte desta oração, “não sou digno que entreis em minha casa”, corresponde ao rio. O sujeito da oração é a água. É um fato, uma realidade, compreensível racionalmente. A segunda parte da oração, “basta que digas uma palavra e meu criado ficará são”, corresponde à cachoeira. O sujeito é a água que se arriscou, trata-se do elemento surpresa, do raciocínio lógico revestido de sobrenaturalidade, uma maneira de desafiar à natureza que nem Jesus esperava.

Em Jesus Cristo, Deus quis se surpreender.

Ele, que é o Criador da Vida, não se surpreende nem com a vida, nem com a morte, mas com a escolha da Vida. Ele se surpreende com nossa fé. Porque somos livres para decidir. Somos livres para escolhermos a vida. Somos livres para escolhermos perder a vida.

Nós podemos escolher a nos arriscarmos por Ele assim como ele se arriscou por nós.


A maneira como um homem se arrisca em Deus recebe o nome de FÉ.


Nós podemos escolher a verdadeira Vida e essa escolha nos torna capazes de  surpreender à Deus.

E quando Deus e o homem, cada um com suas regras e sua vozes, se deixam entrar na surpresa um do outro através da oração, nasce a maior e mais potente fusão entre eles, o Criador e a criatura, frente a frente, misturando-se um ao outro, dançando no meio das chamas.

A oração é o momento onde o homem e Deus se surpreendem um com o outro.


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